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Entrevista

(Aqui estão nossos resultados e análise dos dados referentes a entrevista realizada com os coordenadores dos colégios)


           Em entrevista com a coordenação do Colégio Perfil, nas palavras da própria coordenadora,

“[A interdisciplinaridade ocorre] quando as disciplinas de diversas áreas conseguem se unir para resolver um problema ou para dar visão global de uma coisa que precisa de um esclarecimento, aprofundamento de um conhecimento ou uma informação. Eu entendo que todas as coisas são interligadas, então os alunos precisam ter essa formação interdisciplinar.”
           
           Tendo em vista a necessidade de formação de estudantes com visão global de conhecimentos, percebe-se nas escolas a elaboração de mecanismos que permita ao aluno uma visão geral do conhecimento, já que este não é um fim em si mesmo, mas é um meio para o aprendizado. Como mecanismo facilitador da interdisciplinaridade, nota-se a existência de projetos como maneira mais utilizada. Os docentes do Colégio Perfil organizam pelo menos um projeto interdisciplinar por trimestre enquanto que os docentes do Colégio Estadual Helena Matheus organizam três projetos por ano, reunindo as áreas comuns do saber (ciências exatas e naturais, ciências humanas e linguagens e códigos). De acordo com a coordenadora do Colégio Perfil, tanto os professores quanto os alunos sentem-se mais liberdade para tentar estratégias novas e “costurar” seu conteúdo dentro de projetos.

           Os professores, no momento da culminância dos projetos, veem uma maneira de avaliar a eficácia dos mesmos, como relatado pela coordenadora do Colégio Perfil:

“Uma tarefa simples de gincana em que você dá um desafio e os próprios alunos vão pesquisar. Eles trazem com empolgação e, em outros momentos que não tem a ver com a gincana em si, eles levantam o que aprenderam, trazem o discurso deles, seus argumentos, concisos.”

            É notável, portanto, que projetos interdisciplinares nas escolas atuam como maneira de suma importância para relacionar os conteúdos de diversas disciplinas. No protagonismo em que os projetos evidenciam, os alunos precisam tomar decisões, construir e discutir argumentos sólidos, trabalhar em grupo com uma turma e, por fim, apresentar o trabalho no período da culminância. Por esse motivo, os alunos, na escola ou quando saem dela, lembram-se mais dos projetos do que das aulas que tiveram. A coordenadora do Colégio Estadual Helena Matheus revela que o mais eficiente é a prática que esses projetos proporcionam, junção do teórico ao prático. Em suma, o que mais impressiona é a forma como os alunos têm de demonstrar como aprenderam no momento da apresentação.
           
            Além da forma de projetos, durante as entrevistas, a coordenação de ambos os colégios alegaram que a interdisciplinaridade também está explícita no dia a dia dos alunos. Apesar dos materiais didáticos apresentarem o conteúdo de maneira fracionada, cabe aos professores trabalhar essa interdisciplinaridade no cotidiano, inclusive nos conteúdos menos óbvios.

            Entretanto, por meio das entrevista aos professores, nota-se que nem todos lecionam de maneira interdisciplinar, como exposto na tabela 3 (página 14). O questionamento levantado pela coordenadora do Colégio Estadual Helena Matheus é que, apesar do incentivo dado aos professores para que estes trabalhem de maneira interdisciplinar, faltam recursos para a escola. Já no Colégio Perfil, a coordenação pede aos professores que trabalhem de maneira interdisciplinar e incentiva a elaboração de projetos e, quando necessário, ocorre  apoio pedagógico e logístico.

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